domingo, 3 de abril de 2011

A POLÍTICA E O FUTEBOL NA MENTALIDADE PORTUGUESA

Aproxima-se mais uma campanha eleitoral para um novo governo. Se olharmos para trás, bem para o princípio da democracia, conseguimos ver que a ordem dos partidos no momento dos resultados revela poucas alterações. À cabeça temos o PS ou PSD (com ou sem coligações) e dos partidos que se seguem lá no fundo vem o BE. Mais valia irem os dois primeiros sozinhos a votos porque se poupava dinheiro, papel, tempo e paciência. E por que é que isto acontece? Ora vejamos analisando a razão disto em função do caso dos candidatos e dos votantes:


Candidatos
- A maior parte dos candidatos actuais usava fraldas ou andava na primária no 25 de Abril. Quando cresceram mais um pouco, descobriram que ser político não era exactamente um dever cívico, mas uma forma de ganhar dinheiro sem grande esforço. Era só alistarem-se nas ”jotinhas”, avaliarem o panorama para verem quem era os superiores (então todos antifascistas) mais influentes e porem-se na fila dos seus servidores. Nem se importavam de serem denominados “bois” (desculpem boys – termo que nos países mais endinheirados designa o “faz tudo”). Assim garantiam que os sacrifícios de humilhação a que eram sujeitos seriam compensados com um lugar ao sol. O espírito da democracia para eles, que nem sequer sabiam bem o que foi o 25 de Abril, residia na possibilidade dessa ascensão e dos frutos recolhidos. Por isso o corpo político há anos que se mantém com os mesmos nomes, lista que vai sendo refrescada por apoios exteriores “interessados” que os sustentam. A fidelidade é sempre compensada. E como já andam há tanto tempo nisto, o discurso é sempre igual, até já dá para o insulto pessoal. E são sempre os mesmos. Só vão mudando de cargo. E isto acontece exactamente nos partidos mais votados


Votantes
-Desde que há eleições os votantes raramente vão transferindo os seus votos pelos diferentes partidos. E isto é uma atitude que tem por base uma educação paterno-futebolística. Quando a criança nasce é logo registada como sócia no clube favorito da família. E é criada na devoção clubística, aquela em que quando se perde a culpa é dos outros: árbitro, treinador, fiscal de linha. Esta tradição criou hábitos arreigados de quando se ama um, se odeiam os outros.
Esta atitude de fidelidade clubística criou a cama para a partidária. Um benfiquista é-o sempre até ao fim da vida, mau grado os resultado do clube. Um socialista, social-democrata, etc. é-o sempre no momento do voto, mau grado saber que a vida lhe tem corrido mal porque os candidatos disseram uma coisa e fizeram outra, das vezes anteriores.


Com este espírito podemos andar aqui até ao fim do país. Enquanto as pessoas pensarem que a política é como o futebol, nada se resolve. É só consultarem as sondagens que já aí estão, verem a classificação dos clubes, para verificarmos que nestas eleições nada ou pouco vai mudar... infelizmente!!!

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